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Brasil: Sementes de Pasto a Peso de Ouro em 2016/2017 - Por causa do clima, safra de sementes de forrageiras cai pela metade e preços triplicam

29/09/2016

Brasil: Sementes de Pasto a Peso de Ouro em 2016/2017 - Por causa do clima, safra de sementes de forrageiras cai pela metade e preços triplicam

Adquirir sementes de forrageiras para a reforma, recuperação ou formação de novas pastagens no próximo ciclo pecuário poderá ficar até três vezes mais caro para o criador. Isto porque o setor vive uma crise sem precedentes, com uma quebra estimada em 50% na produção. O grande vilão foi o clima: uma sucessão inesperada de dois fenômenos climáticos, o El Niño e a La Niña, que afetaram as principais regiões produtoras de sementes forrageiras do País: Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Oeste da Bahia e Oeste de São Paulo. O resultado é um a queda estimada de 60.000 para 33.000 toneladas de sementes disponíveis no mercado para o plantio que deve ter início a partir deste mês de setembro. Segundo Pierre Marie Patriat, presidente da Unipasto (Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramentos de Forrageiras), com sede em Brasília, DF, a menor oferta de sementes era prevista porque houve uma redução de área plantada estimada em 20% em 2016. “Já contávamos com uma queda na safra e estoques zerados, mas ninguém imaginou que o clima afetaria a produção em todo o País”, disse. A queda no volume colhido pressiona ainda mais os preços, que triplicaram, saindo dos R$ 9,00 cobrados em média no ano passado pelo quilo da semente para até R$ 25,00 agora. A atuação mais prolongada do El Niño, o mais forte registrado desde 1998, reduziu as chuvas na maioria das áreas do país, prejudicando o enchimento das cultivares mais tardias, que são semeadas no começo do ano. Na sequência, a partir de abril, a chegada do fenômeno La Niña provocou o aumento da intensidade das estações chuvosas no nordeste, e na região Amazônica, se estendendo para estados da região central, como Goiás e Mato Grosso. A quebra da safra no nordeste, onde está concentrada a maior parte da produção da braquiária ruziziensis, chegou a 80%. Nas demais regiões, a redução da produção ficou entre 30% e 40% em média. A receita, segundo a Unipasto, não deve ser afetada, mantendo o mesmo patamar de 2015 de R$ 1,2 bilhão. As principais quebras de safra foram observadas nas variedades de braquiária ruziziensis muito comum na formação de áreas de ILPF (80%) (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta) e de marandu e xaraés+ (70%),as mais procuradas pelos pecuaristas. Além, disso há a demanda dos mercados externos. Hoje, o Brasil exporta para toda a América Latina e alguns países da África. “Deve haver um encolhimento de 30% no tamanho das áreas de pastagens que serão reformadas”, estima Luís Fernando Calábria, diretor da Sementes ACampo, de Tangará da Serra, MT. Segundo ele, “o produtor logo verá que o reajuste é uma tendência do mercado e terá que se adequar”. Em Lambari D'Oeste, na região de Cáceres, MT, o pecuarista Leonardo Carvalho Lemos, dono da Fazenda Rio Vermelho, já tinha gradeado 600 hectares da propriedade para terminar o processo de reformados pastos, que começou em 2011. Mas, quando foi ao mercado, comprou semente suficiente para cobrir apenas metade desta área. “Nos últimos cinco anos paguei entre R$ 8,50 e R$ 12,50 o quilo da semente de xaraés”. Este ano, o mais barato que encontrei foi R$ 18,00/kg”, afirma o criador, que adquiriu 20 sacas no início de agosto para formar 300 hectares. No fim do mês, quando conversou com DBO, a cotação da cultivar na região já havia subido para R$ 28,00/kg. “Vou deixar o restante da área para o ano que vem, mas sei de muitos pecuaristas aqui na região que desistiram de mexer nas pastagens este ano”. O cenário de menor oferta e preços altos é um prato cheio para os oportunistas, que podem oferecer produtos de baixa qualidade e com índices inferiores aos padrões mínimos de pureza estabelecidos pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que é de 60% para todas as braquiárias e de 40% para as sementes de panicum. Luciano Lara, engenheiro agrônomo do departamento técnico da Matsuda, com sede em Alvares Machado, SP, alerta para os problemas. “Além da baixa qualidade, há o risco de o criador comprar sementes de ervas daninhas que podem infestar a área de plantio”, aponta. Marcos Roveri, diretor executivo da Unipasto, sugere que o pecuarista retire uma amostra da semente e envie para análise laboratorial para verificar a qualidade de germinação. “Na ânsia de encontrar produtos mais baratos, o pecuarista deve ficar atento para não levar sementes piratas ou ilegais”. O Mapa está intensificando a fiscalização destes produtos e punindo o usuário de sementes ilegais ou piratas com multas que podem chegar até 250% do valor comercial do produto. Fonte: Mônica Costa, Revista DBO, edição de setembro 2016. Resumido e adaptado por Marangatú

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