28/09/2011
Projeto em MG aproveita soro do leite para atletas 28/09/2011 Um alimento antes jogado no lixo está ajudando a nutrir e a mudar a vida de muitos moradores de um bairro carente de Lavras, no Sul de Minas. Aproveitar o soro do leite se tornou palavra de ordem num laticínio do município e, numa mistura saudável de ousadia, força de vontade e aplicação da tecnologia fez campeões e muita gente recuperar a autoestima. O trabalho, idealizado pelo engenheiro de alimentos Alessandro Rios, começou há dois anos. A ideia foi aproveitar o subproduto da fabricação do queijo para fazer bebidas lácteas com o mesmo teor nutricional daquelas feitas nos processos convencionais e distribuí-las a entidades de caridade. O produto é ainda o reforço na alimentação de futuros atletas da cidade. Com o apoio da empresa, o time feminino sub-15 foi campeão mineiro estudantil e se prepara para disputar mais uma rodada. O engenheiro, presidente do Laticínio Verde Campo, explica que, na produção do queijo, parte das proteínas, cálcio e açúcar ficam na iguaria e parte vai para o soro. Historicamente, ele é usado no Brasil na alimentação animal, isso porque a quantidade de água em relação aos nutrientes é muito grande - enquanto o leite guarda 3,2% das proteínas, o soro tem apenas 0,7%. Assim, é preciso ingerir muito soro para se chegar perto da condição nutritiva do leite. Mas, com a ajuda da tecnologia, Alessandro Rios conseguiu deixar de lado o desperdício, usando a nanofiltração. São membranas altamente seletivas que permitem, na passagem do soro, filtrar a água e reter os nutrientes. "Compramos esse equipamento e, agora, concentramos 2% de proteínas e produzimos bebidas a partir do soro concentrado. O custo é de 60% a menos do que aquelas produzidas a partir do leite", diz. O trabalho tem como parceira a Prefeitura de Lavras. A equipe de nutricionistas do município ajuda a enriquecer bebidas achocolatadas e iogurtes com vitaminas e ferro. Para a administração municipal e instituições de caridade de Belo Horizonte os produtos são vendidos a preço de custo. "A prefeitura conseguiu aumentar em 60% o número de crianças atendidas sem gastar nada a mais, usando a mesma verba que tinha disponível para escolas e projetos sociais", afirma Alessandro, que tem duas vertentes de trabalho. A primeira é a venda a preço de custo para as entidades, a outra é o projeto social apoiado pelo Verde Campo - um programa esportivo que atende 110 crianças da Escola Municipal José Serafim, no Bairro Novo Horizonte, cuidando da alimentação delas durante a preparação. Alessandro Rios avisa: "A fábrica está aberta, não temos segredos em relação à tecnologia. Ficaremos felizes se o maior número possível de empresas e indústrias no Brasil adotarem esse projeto". A matéria é de Junia Oliveira, para o Estado de Minas, adaptada e resumida pela Equipe MilkPoint.
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